Quando os aplicativos invadem

Com o crescimento dos aplicativos móveis, crescem também as exigências de integração estratégica.

Junior-Barrett-GMNos seis anos desde a sua estreia, as lojas de aplicativos móveis foram do desconhecido para o indispensável. Considere o número de aplicativos móveis baixados globalmente: 25 bilhões em 2011, 102 bilhões em 2013 e, até 2017, uma estimativa de 269 bilhões. Agora, considere o valor envolvido: as receitas de aplicativos atingiram USD 26 bilhões em 2013 e podem triplicar até 2017.

Enquanto o número e o valor dos aplicativos baixados vão às nuvens, as organizações com projetos de desenvolvimento de aplicativos não estão mais só ansiosas pelo brinquedo novo. Precisam saber se as suas iniciativas de aplicativos se alinham com as suas estratégias de negócios.

Nos primórdios do desenvolvimento de aplicativos, os braços de marketing das grandes empresas encomendavam aplicativos que “não estavam integrados em um modelo de negócios maior”, disse Christian Risom, CEO da Shape A/S, um estúdio de desenvolvimento de aplicativos em Copenhague, na Dinamarca.

A hora da integração, disse Risom, é agora. Com novos projetos de aplicativos, “estamos mudando para uma perspectiva muito mais baseada no modelo de negócios”, disse ele.

As organizações estão dando bastante atenção aos retornos dos seus investimentos de desenvolvimento de aplicativos, disse Chris Ruff, CEO e presidente da UIEvolution, fabricante de software personalizado que funciona em diferentes plataformas, sediadas em Kirkland, Washington, EUA. Como parte desse olhar atento ao ROI, as organizações precisam centrar-se não apenas no que os seus aplicativos fazem, mas também no aumento do número de plataformas em que eles vão fazer o que fazem — smartphones e tablets, e também TVs, eletrodomésticos e automóveis inteligentes. Com diferentes plataformas concorrendo pela atenção dos desenvolvedores, as equipes de projeto vão ficar cada vez mais sobrecarregas, adverte Ruff.

“As organizações precisam começar a pensar em construir para o futuro, mesmo que hoje usem apenas uma plataforma”, afirma Ruff, que vem projetando, desenvolvendo e implantando aplicativos móveis desde 2000, quando os telefones flip dominavam o mercado. Em um futuro não muito distante, os aplicativos terão de ser adaptados a uma ampla variedade de dispositivos e plataformas de software para atingir o maior público possível. “Olhando para a frente, se você não tiver criado corretamente, terá dificuldades de expandir”.

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Projetos maiores, problemas mais complicados

Os projetos de aplicativo não só estão aumentando em número mas também expandindo em escopo — passando de software autônomo a integrado. Os aplicativos de primeira geração eram, na maior parte, mais simples e mais estáticos. Agora, Risom diz que mais de 90 dos aplicativos que ele constrói baseiam-se em conteúdo dinâmico de fontes externas. Embora cerca de dois terços deles extraiam dados de serviços web fornecidos pelo cliente, 25% exigem que se estabeleçam novos serviços web.

Para os profissionais de projeto, o desenvolvimento de aplicativos é agora “um jogo completamente diferente”, disse Risom. “Quanto maiores os projetos de aplicativos, mais complexos ficam os cronogramas. Muitos elementos diferentes têm de ser combinados para obter um produto profundamente integrado”. Com esse crescimento, vem também a possibilidade de desvio de escopo, afirma.

No entanto, “a parte mais difícil do crescente tamanho dos projetos”, segundo Risom, “são as partes interessadas”. Os gerentes de projeto de iniciativas de aplicativo precisam “garantir que haja alinhamento interno na organização — que as pessoas que controlam os fundos do projeto estejam alinhadas com os gerentes de projeto”.

Chris-Ruff-UIEvolution“As organizações precisam começar a pensar em construir para o futuro, mesmo que estejam usando apenas uma plataforma hoje.” — Chris Ruff, UIEvolution, Kirkland, Washington, EUA

Para garantir o alinhamento estratégico, os projetos de aplicativos precisam de patrocinadores comunicativos, colaborativos. Louise Sturgess, diretor de projetos da desenvolvedora de aplicativos Mubaloo, de Bristol, Inglaterra, beneficiou-se com esse tipo de patrocinador quando a sua equipe construiu um aplicativo para a Hargreaves Lansdown, corretora de investimentos do Reino Unido. O aplicativo, HL Live para iPad, destinava-se a ajudar os usuários a fazer negócios e incluía recursos de personalização, como um painel de controle personalizado. “O nosso chefe de design trabalhou diretamente com Hargreaves, examinando esquemas, pensando em facilitar para o usuário, porque é importante capturar corretamente a experiência do usuário”, disse ela.

Além de um patrocinador engajado, a equipe de Sturgess dependia de um processo claramente definido “para certificar-se de que estávamos negociando em consonância com as expectativas”, disse ela. “Um dos elementos mais importantes é o planejamento e a documentação, começando com a fase de arquitetura de solução”. A equipe estudou o jogo final — “que cara o aplicativo vai ter e como vai operar” — e depois identificou e desenvolveu a tecnologia para alcançar esse objetivo. A estratégia conduziu a tecnologia, não o contrário.

 

Estudo de caso: Quando os aplicativos invadem… o automóvel

A AppShop da GM

Um dos novos veículos para projetos de aplicativo é, literalmente, um veículo — o carro conectado. Hoje em dia, menos de 10% dos carros novos têm conectividade com a Internet, mas até 2020 esse número subir a 90%, englobando 700 milhões de veículos, de acordo com um relatório de 2013 da Machina Research e da Telefónica.

“Estamos nos estágios iniciais do mercado do carro conectado, mas aqui as oportunidades são reais, e enormes”, disse Chris Pearson, presidente da 4G Américas, grupo setorial da indústria sem fio em Bellevue, Washington, EUA.

Os carros conectados fazem parte da internet das coisas, fenômeno da próxima onda de tecnologia que exclui tablets, smartphones e computadores pessoais, e inclui praticamente todo o resto com uma conexão à internet: não só carros conectados, mas também televisores inteligentes, eletrodomésticos inteligentes e dispositivos que podem ser vestidos. Até 2020, haverá 26 bilhões de dispositivos instalados operando a internet das coisas, em comparação com apenas 7,3 bilhões de smartphones, tablets e PCs, de acordo com o Gartner.

Para liderar na arena de carros conectados, a montadora americana GM entendeu que era preciso antes fazer a sua própria conexão — com peritos externos.

“Estamos nos estágios iniciais do mercado dos carros conectados, mas as oportunidades aqui são reais, e enormes.” — Chris Pearson, 4G Américas, Bellevue, Washington, EUA

A maior montadora do mundo determinou há cinco anos que teria que adotar a conectividade de internet móvel, porque representava um novo fluxo de receita em potencial e devido às crescentes expectativas dos clientes: a BMW, a Audi e a arquirrival da GM, a Ford, estão todas buscando aplicativos para automóveis. Em janeiro de 2013, a GM lançou o portal do desenvolvedor usado para criar a AppShop. Com esse portal online, a GM permitia que desenvolvedores de software de terceiros entrassem no mundo da GM — e dos seus dados protegidos — para criar aplicativos para os seus carros.

“Este era um espaço inteiramente novo para a GM. O interessante nele é que permite que pessoas de fora sejam criativas dentro dos nossos veículos. Isso é algo que nunca permitimos que outra pessoa fizesse antes”, disse Junior Barrett, Detroit, Michigan, EUA, gerente de desenvolvimento global de aplicativos para a GM e gerente do lado de desenvolvimento de negócios da AppShop.

Com essa iniciativa, a gigantesca e centenária corporação quis demonstrar uma grande agilidade organizacional — que colhe recompensas significativas. As organizações ágeis que respondem rapidamente às dinâmicas de mercado concluem 69% dos seus projetos com êxito, em comparação com 45% de projetos em outras organizações, de acordo com o relatório Pulse of the Profession® de 2014 do PMI.

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Lado a lado

Apesar de toda a sua promessa virtual, a AppShop depende de interação em tempo real.

Os desenvolvedores terceirizados elaboram ideias de aplicativos estudando esquemas e dados da interface de programação de aplicativos (API) da GM. Depois de se preparar uma versão de teste que passa as provas iniciais (determinada por software automatizado e uma análise de desenvolvimento de negócios), são convidados a ir à sede de Detroit da GM para testar o produto juntamente com os desenvolvedores da própria montadora.

Ao contrário dos desenvolvedores que criam aplicativos para smartphones e tablets, as equipes AppShop não podem testar seu trabalho por conta própria. Precisam de um carro da GM de última geração para fazer isso, e por enquanto o lugar ideal onde podem encontrar um é o Laboratório Conectado de Inovação para o Consumidor (CCIL), as instalações físicas da AppShop em uma área altamente restrita da sede da GM. Aqui, os engenheiros da GM trabalham ao lado de desenvolvedores de aplicativos para planejar o futuro do carro conectado. Os aplicativos são testados não só para a GM em geral, mas para cada marca GM — há pequenas diferenças de interface entre os sistemas Buick, Chevrolet e Cadillac. Essa fase do projeto pode durar até um mês.

Nesse ponto, a GM coloca estritos parâmetros na agenda das equipes. Barrett explica: “Quando eles vêm, como estamos atribuindo um recurso para eles, impomos a esse recurso um cronograma. Dizemos ao desenvolvedor do aplicativo: ‘Você vai ter este engenheiro da GM por seis semanas, porque ele vai se ocupar de outro projeto depois desse prazo'”.

Numeros de aplicativosEnquanto a GM aprende com os desenvolvedores, a montadora por sua vez garante que eles adotem as suas rigorosas normas de teste.

“Quando se trabalha com startups, é preciso lembrar que muitos delas não têm grandes equipes, e, em alguns casos, os esforços de teste e validação de aplicativos não são tão completos como você gostaria nem confortáveis do ponto de vista de GM”, disse Mark Scalf, gerente do grupo de engenharia baseado em Detroit do grupo de produtos de desenvolvedores da GM e gerente de projeto do lado técnico da AppShop.

Quando um aplicativo sai do laboratório e alcança o status de “candidato a lançamento”, é testado em campo pela GM — colocado nos carros de teste e conduzido pelos Estados Unidos e/ou Europa para ver como reage a diferentes níveis de conectividade de rede, além de recursos específicos do carro, como os modos de bloqueio do motorista para minimizar as distrações. “Em última análise, é preciso instalar o aplicativo em um carro e dirigir por aí, porque é onde se ganha a experiência completa e se pode validá-lo totalmente em termos da sua facilidade de uso e funcionalidade dentro de um veículo”, disse Scalf.

Testes dessa intensidade não são típicos para aplicativos comuns do mercado. “Quando um aplicativo está em um carro, as pessoas têm um conjunto diferente de expectativas”, disse Scalf. “Há um maior nível de confiabilidade que elas esperam do seu veículo, e tentamos corresponder a essa expectativa”.

Embora cerca de 4.200 desenvolvedores tenham baixado os recursos da AppShop da empresa no primeiro ano após o seu lançamento, a oferta inicial da AppShop da GM não terá mais de 10 aplicativos — o que demonstra o cuidado aplicado no seu aperfeiçoamento. Na verdade, a maioria desses 10 aplicativos já estava em desenvolvimento antes da estreia do portal de desenvolvedores da GM. Antes da inauguração da estrutura da AppShop, Barrett tinha abordado organizações como o The Weather Channel e a iHeartRadio sobre a participação e tinha começado o processo de desenvolvimento com diversos fabricantes de aplicativo. (Os primeiros desenvolvedores usaram uma versão beta do kit de desenvolvimento de software da GM).

Momentos de ensino

A provedora de serviços baseados em localização Wcities desenvolveu dois dos 10 aplicativos iniciais, Cityseeker e Eventseeker. Fraser Campbell, CEO da Wcities, San Francisco, Califórnia, EUA, passou quatro semanas no laboratório da GM refinando os seus produtos. Ele atribui o sucesso do projeto ao elevado nível do engajamento da GM: “Eles estavam realmente engajados com os seus parceiros e fazendo essa parceria funcionar, em parte porque isso era novo para eles também. Estavam realmente interessados no nosso aprendizado”. Scalf concorda, citando as técnicas de cache de imagem dos Wcities, que possibilitam que os aplicativos funcionem de forma mais eficaz quando desconectado de uma rede de dados.

(Foto cedida pela General Motors) Os aplicativos disponíveis na AppShop da Chevrolet vão conectar os motoristas a música, notícias, tempo, informações de viagem, dados do veículo e muito mais.
(Foto cedida pela General Motors)
Os aplicativos disponíveis na AppShop da Chevrolet vão conectar os motoristas a música, notícias, tempo, informações de viagem, dados do veículo e muito mais.

A GM aprendeu, mas também ensinou: os seus testes práticos de garantia da qualidade melhoraram as ofertas da Wcities para uso em veículos. Por exemplo, o Cityseeker e o Eventseeker eram originalmente um só aplicativo, mas quando os testes revelaram que os motoristas demoravam demais para acessar todos os recursos, a equipe do projeto decidiu dividir em dois. “Foi muito pesado e muito profundo”, disse Barrett. “Agora os dois aplicativos são muito mais rápidos e oferecem exatamente o que o consumidor precisa, na hora certa”.

Dado o laborioso processo de aprovação da AppShop, se o ritmo das propostas dos desenvolvedores aumentar, Barrett reconhece que “o nosso processo não é expansível.”

Talvez o ritmo atual se mantenha. Campbell, da Wcities, disse que as startups com equipes pequenas podem relutar em construir para a plataforma da GM porque os aplicativos para carros conectados implicam “um ciclo de vendas e de implementação muito longo. É um jogo demorado — você está planejando para carros que vão chegar ao mercado três anos depois. O processo ficou mais rápido, mas não vai se mover tão rápido como o ambiente móvel”.

Scalf enfatiza os objetivos da AppShop: promover a inovação e permitir que empresas menores obtenham ideias de aplicativos de ponta na frente da GM e, finalmente, em veículos da GM. “Queremos minimizar as barreiras à entrada e fornecer a essas empresas aplicativos com interações adequadas com os engenheiros e os desenvolvedores da GM, porque caso contrário muitas grandes ideias novas acabam caindo no chão”, disse Scalf. “Esperamos que, por meio deste processo de redução de barreiras, se alguém tiver uma grande ideia para um aplicativo que concordemos que seja atrativo para os nossos clientes, pode trazer a ideia à nossa equipe e ajudaremos a avaliar e validar o aplicativo que esperamos que entre no carro. Este é o objetivo final — permitir que a inovação continue e não falhe devido a barreiras à colaboração”.

Mark-Scalf-GM“Quando um aplicativo está em um carro, as pessoas têm um conjunto de expectativas diferente. Há um maior nível de confiabilidade que elas esperam do seu veículo, e tentamos corresponder a essa expectativa.” — Mark Scalf, GM, Detroit, Michigan, EUA

A GM derrubou com êxito essas barreiras: os primeiros veículos equipados pela AppShop da GM chegam às revendedoras no segundo trimestre deste ano.

 

Estudo de caso: Quando os aplicativos invadem… o supermercado

Alimente a sua família

Quando a rival Woolworths lançou uma nova campanha de marketing em 2012, a Coles Supermarkets sentiu-se pressionada a responder — e rapidamente.

Em 2013, essa cadeia australiana de supermercados decidiu construir um aplicativo chamado Feed Your Family (Alimente a sua Família), visando a inspirar as famílias a planejar e cozinhar refeições de grande valor facilmente. O aplicativo também seria estrelado pelo famoso chef Curtis Stone em vídeos de aula de culinária. Em vez de um aplicativo comum de receitas equipado com vídeo, porém, o Feed Your Family incluiria conteúdo dinâmico que mostra aos usuários quais ingredientes estão à venda no Coles do bairro — um obstáculo significativo, dado que os produtos especiais variam de um local para outro.

Desafiada por um concorrente ativo, a Coles deu ao desenvolvedor aplicativos Reactive apenas um mês para projetar, desenvolver e testar o novo aplicativo.

Além disto, a Coles não se limitou a entregar tudo nas mãos da equipe de desenvolvedores. Tal como engenheiros da GM em parceria com os desenvolvedores da AppShop, a Coles trabalhou de perto com a equipe da Reactive. Enquanto a equipe da Reactive usava um híbrido de abordagens ágeis e em cascata para projetar e construir o aplicativo, os desenvolvedores da Coles construíam a interface de programação de aplicativo, “de modo que era um trabalho grande para eles também”, disse Lila Tournier, gerente de projeto, Reactive, Melbourne, Austrália. As duas equipes trabalharam em conjunto para construir serviços web que oferecessem conteúdo dinâmico e localizado em itens de venda.

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“A Coles foi muito prestativa”, disse Tournier. “Estávamos sempre em contacto com o cliente. Às vezes temos clientes que enviam uma descrição do produto desejado e esperam que façamos magia sem nenhuma contribuição adicional. Dessa vez, eles trabalharam tanto como nós, que é bastante raro. Eu realmente acredito que a colaboração foi o que fez esse projeto tão bem sucedido”.

Quando a equipe do projeto testou o aplicativo antes do lançamento, encontrou “quase todos os erros”, conta Tournier. “Tudo correu muito bem. Isso reforçou a minha convicção de que, com uma equipe dedicada e entusiasmada e essencialmente uma excelente colaboração com o cliente, as coisas funcionam — e muito mais”.

A experiência de Lila Tournier revela uma verdade mais ampla: 81% das organizações de alto desempenho — que completam 80% dos projetos no prazo, no orçamento e no escopo — têm projetos com patrocinadores ativos, em comparação com 45% das de baixo desempenho, de acordo com com o relatório Pulse of the Profession® de 2014 do PMI.

No primeiro mês da sua versão de 2013, o Alimente a sua Família foi baixado mais de 100.000 vezes, arrebatando o primeiro lugar entre os aplicativos de alimentação na loja do iTunes australiano.

Lila-Tournier-Reactive“Às vezes temos clientes que enviam uma descrição do produto desejado e esperam que façamos magia sem nenhuma contribuição adicional. Dessa vez, eles trabalharam tanto como nós, que é bastante raro. Eu realmente acredito que a colaboração foi o que fez esse projeto tão bem sucedido.” — Lila Tournier, Reactive, Melbourne, Austrália

 

Estudo de caso: Quando os aplicativos invadem… a câmera do smartphone

 

Stockimo

Uma equipe de projeto enfrentou um desafio intimidante de duas frentes: construir um aplicativo para um novo sistema operacional — e fazê-lo antes que o sistema fosse lançado.

O Stockimo permite que os usuários do iPhone carreguem e vendam as suas fotos.
O Stockimo permite que os usuários do iPhone carreguem e vendam as suas fotos.

A Alamy, uma empresa global de fotografias prontas, queria um aplicativo que ajudasse a colocá-la na vanguarda de um mercado emergente da fotografia profissional — fotos tiradas com câmeras de smartphone. O aplicativo, Stockimo, permitiria aos usuários carregar, etiquetar e vender fotos no mercado global do Alamy, de mais de 44 milhões de imagens.

“O nosso objetivo era explorar o entusiasmo pela fotografia móvel”, disse Alan Capel, chefe de conteúdo da Alamy, Abingdon, Inglaterra. “Percebemos na fotografia de smartphones uma maneira de envolver novas pessoas com a Alamy, oferecendo o nosso conhecimento de licenciamento, direitos autorais e propriedade intelectual, além do nosso mercado”.

O aplicativo funcionaria no novo sistema operacional da Apple, o iOS7. Mas havia um problema: o sistema ainda não estava disponível.

Aplicativos-por-todo-o-mundo“Sabíamos que teríamos que fazer alterações de última hora no modelo”, disse James Tipler, gerente de projetos sênior, Mubaloo, Bristol, Inglaterra.

A partir de meados de 2013, a equipe de Tipler teve de desenvolver um projeto baseado em versões beta de pré-lançamento do iOS7. Com base nessas versões, a equipe decidiu recomendar um design plano para o aplicativo — ao contrário da concepção tradicional da Apple, em que os ícones na tela parecem objetos do mundo real. Como a equipe estava desenvolvendo um aplicativo para fotografia, o design estava no primeiro plano das decisões de projeto. “Estávamos recomendando um design plano, mas era difícil aconselhar o cliente sobre isso porque era muito diferente da aparência do iOS6 e de outros sistemas operacionais do iPhone anteriores”, disse Tipler.

Finalmente, a Apple liberou uma versão beta final do novo sistema operacional para a Mubaloo antes de a lançar globalmente. “Tivemos um período de duas ou três semanas em que brincamos com o novo sistema operacional antes que ele fosse lançado”, disse Tipler. Ficou claro que Apple realmente estava abandonando o desenho esqueumórfico. A Mubaloo foi atrás, eliminando a sombra dos botões do aplicativo para corresponder melhor à nova estética da Apple.

“Foi uma benção ter obtido o iOS7 na hora certa, mas isso também introduziu um elemento de adivinhação, porque era uma quantidade desconhecida”, disse Capel, da Alamy. “Foi um verdadeiro desafio, algo que acrescentou complexidade”.

Alan-Capel-Alamy“Você pode fazer quantas reuniões quiser, mas se não houver essa visibilidade coerente do que está acontecendo com o projeto, ele desmorona.” — Alan Capel, Alamy, Abingdon, Inglaterra

Capel dá crédito ao seu gerente de projeto comunicativo e ágil por ter ajudado a superar as ambiguidades do design. Tipler usou duas ferramentas de compartilhamento de documentos baseadas em nuvem para manter o patrocinador informado sobre o progresso do aplicativo. “Você pode fazer quantas reuniões quiser, mas se não houver essa visibilidade coerente do que está acontecendo com o projeto, ele desmorona”, disse Capel.

A Alamy lançou o Stockimo no início deste ano. Agora, disse Capel, “sentimos que estamos à frente da curva”.

Estudo de caso: Quando os aplicativos invadem… a administração de imóveis

 

Hou-Net

Com 400.000 unidades em 8.000 complexos de apartamento, a Nihon Housing Co. Ltd., grande empresa de administração de imóveis residenciais do Japão, precisava mais que um zelador prestativo manter o controle de todas as suas propriedades. A organização queria um aplicativo que permitisse que os seus gerentes e pessoal de manutenção supervisionassem as tarefas de manutenção e de reparação. O aplicativo também permitiria que os inquilinos carregassem e iniciassem ordens de trabalho.

A Nihon Housing Co. Ltd., que gere 8.000 complexos de apartamentos no Japão, usa um aplicativos para manter o controle sobre suas propriedades.
A Nihon Housing Co. Ltd., que gere 8.000 complexos de apartamentos no Japão, usa um aplicativos para manter o controle sobre suas propriedades.

Para construir o aplicativo, a equipe de desenvolvimento da IT Frontier Corp., empresa controlada pela Mitsubishi Corp sediada em Tóquio, Japão, precisava integrar três sistemas de software existentes de administração imobiliária, todos com mais de uma década de idade. Também tinha que prestar um serviço uniforme em todo o portfólio da empresa, apesar de as normas e regulamentos de negócios da união japonesas diferirem de uma região para outra.

O código legado era “espaguete” e impossível de converter, disse o executivo de projetos Masaaki Yotsui, que agora trabalha para a GeneXus Solutions Japan. Precisava ser reescrito do zero.

“Os usuários finais e as equipes de operações compreenderam os detalhes do sistema graças à sua experiência com o desenvolvimento de iterações.” — Masaaki Yotsui, anteriormente da IT Frontier Corp., Tóquio, Japão

Yotsui abandonou a abordagem de cascata que tinha planejado para empregar um processo mais flexível e incremental. Criou quatro equipes, cada uma delas composta por engenheiros de software e representantes do cliente. Cada equipe desenvolveu uma iteração isolada do aplicativos e, em seguida, suas soluções integradas. Algumas equipes passaram por quatro iterações antes de identificar a solução.

Esse processo Agile levou a um aplicativo eficaz — que foi prontamente adotado pelas partes interessadas porque tinham estado envolvidas em todo o seu desenvolvimento. “Os usuários finais e as equipes de operações compreenderam os detalhes do sistema graças à sua experiência com o desenvolvimento de iterações”, disse Yotsui.

Yotsui atribui o sucesso do aplicativo ao processo colaborativo; um cliente engajado, flexível; e contribuições das partes interessadas. “Preparamos um bom ambiente onde todos os membros da equipe pudessem trabalhar juntos no mesmo lugar, desde a fase de análise de requisitos até o fim do projeto”, disse ele.

 

Escrito por: Steve Hendershot

Fonte: PM Network – Junho de 2014, pág. 26-38

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